terça-feira, 23 de novembro de 2010

Retirantes


Nesses tempos de discussão tão acalorada sobre preconceito contra as maiorias (imagine só, uma maioria sem voz), esse poema tem muito a ver:

E eu, qual retirante
Na Rodoviária
Tristeza Agrária
Moderna estação

"Quedê" a alegria
"Quedê" minha paz
Ficou para trás
Ficou no Sertão

Aqui na Cidade
Não tem vagalume
Não tem Vitalino
Nem Rei do Baião

No alto do Morro
A "chapa" tá quente
Tão matandoi gente
Por qualquer tostão

Não tem dia claro
Nem tem mula manca
Não tem asa branca
Só desolação

Mas não se aperreie
Rosinha querida
Findando essa lida
Eu vou te buscar

Pra te ver de novo
Faceira, dengosa
Te levo pra feira
Pra gente dançar

Eu estivador
Você manicure
Não há nessa vida
Dor que não se cure
Ao primeiro raio
Desse tal de amor

Um comentário:

Raimundo Rocha (Nenzão) disse...

Olá amigo.
Gostei muita da foto e do poema.
Inspirado nesta foto estou escupindo (modelando) em argila um painel de 2 metros para colocar na entrada de minha casa em Quitaius.
abraço.
dibarroatelier@hotmail.com
rdoramil@hotmail.com