terça-feira, 23 de novembro de 2010

O Semeador


O Semeador saiu a semear
Espalhando sua semente
Por todo lugar
Pois não cabe a ele
Enfim, arbitrar
Que semente vai brotar
Qual frutificará

Se caiu pelo caminho
Ou não criou raiz entre os pedregais
Ou se deixou levar
Pela sedução da riqueza
Torpes espinhais
Quando enfim, em boa terra fica
A boa semente edifica, frutifica

E que meu coração seja boa terra sempre
Pra tua semente
que eu possa furtificar
Levando Tua Palavra
Para toda gente
Na Tua palavra há salvação
Pra modificar, Jesus, todo coração.

Saudosismo


Não me venha falar de futuro
Se o presente nunca é tão bom
Ele nunca é tão bom quanto o passado
E, se o presente é o passado do futuro
O que me aguarda lá então?

Vivemos sempre na busca
Por melhores dias
Mas, no fim da estrada
Quando já não há mais futuro
(ou quando o futuro não mais importa)
Tudo o que nos resta é o passado

Ah, o passado.
Que você, pelas suas atitudes
Faz como quem senta num restuarante
E escolhe o bife:
- Bem ou mal passado?

E não me venha falar de futuro.
O futuro é misterioso
O futuro é aleatório
Ele é incerto
- O futuro é sempre incerto!

Certo mesmo é o passado!
O brinquedo que ganhei no natal
Aquele fim de semana em Macaé
A nota vermelha na escola
Bombas no vestibular
Bombas de São João
Cabul
Bagdá
Torres Gêmeas

Todos os passos mal dados
Amores vividos
Planos traçados
projetos não realizados.

Perdoem minha covardia,
Mas hoje,
Pelo menos hoje,
Eu prefiro ficar com o passado.

Canta


Essa aqui eu fiz na ocasião em que tive a honra e o prazer de receber em minha casa o grande compositor e músico Stenio Marcius. Apesar de ter estado com ele em outras ocasiões, não tive a coragem de mostrar nem a poesia, nem a música pronta.

Canta
Teus males espanta
Solta da garganta
Canção de louvor
Fala de Jesus nesse canto
Pois só Ele é Senhor
Sim, é Senhor
Então por isso canta
Com toda sua força
Mostra no teu canto
Sua voz, sua fé.
Canta. Diz ao mundo
Que seu Deus
Todo-Poderoso é
Sim, Ele é

Canta ao deus Todo-Poderoso
Que Mudou a sua história
Canta a Jesus, Senhor amado
Que te deu um lar na Glória
Canta ao Espírito de Vida
Que te deu essa canção

Canta a hora e a tempo
A todo momento
No riso e na dor
Canta. Faz desse seu canto
Sacrifício de louvor
Ao Senhor
Por isso mesmo canta
Por toda a cidade
Que a felicidade
É pra compartilhar
Canta, fala de Jesus
Que Ele em breve voltará
Sim, voltará.

Canta ao deus Todo-Poderoso
Que Mudou a sua história
Canta a Jesus, Senhor amado
Que te deu um lar na Glória
Canta ao Espírito de Vida
Que te deu essa canção

Por Agora

Deixe por agora
Que o fim já está perto
A morte, caminho certo
Fique atento, viva, curta
Mas fique esperto na vida
Pois há mesmo quem curta a vida
Mesmo a vida sendo tão curta

Estamos na vida
Estamos na luta
Viva o sol de cada dia
De peito aberto. Disposto
Mesmo sentindo o ardor
Da mão, do tapa no rosto

A vida às vezes é assim
Te pega desprevinido
Justamente nesses dias
Em que a gente acorda achando
Que não devia ter nascido
Com tudo isso
É melhor viver essa vida
Do que nunca ter vivido.

Humildes

No porto de Santos
Eles tem chegado: humildes
Lá na Novo Rio
Tem eles chegado: humildes
Na Praça da Sé
Em outros Estados
Eles têm chegado:
Multidões de humildes

Na Central do Brasil
Eles chegam aos montes
Estouro de Boiada
Que se pulveriza
E que toma seu destino
Calados... Humildes...

E eu, ovelha negra de nascença
Ousei um dia levantar a cabeça
E sonhei um dia me libertar
Dessa humildade que nos cerca
Como ranso
Como selo
Como fado
(Que Deus me livre desse fardo!)
Dessa humildade
Que não é de gente:
- É de gado.

Retirantes


Nesses tempos de discussão tão acalorada sobre preconceito contra as maiorias (imagine só, uma maioria sem voz), esse poema tem muito a ver:

E eu, qual retirante
Na Rodoviária
Tristeza Agrária
Moderna estação

"Quedê" a alegria
"Quedê" minha paz
Ficou para trás
Ficou no Sertão

Aqui na Cidade
Não tem vagalume
Não tem Vitalino
Nem Rei do Baião

No alto do Morro
A "chapa" tá quente
Tão matandoi gente
Por qualquer tostão

Não tem dia claro
Nem tem mula manca
Não tem asa branca
Só desolação

Mas não se aperreie
Rosinha querida
Findando essa lida
Eu vou te buscar

Pra te ver de novo
Faceira, dengosa
Te levo pra feira
Pra gente dançar

Eu estivador
Você manicure
Não há nessa vida
Dor que não se cure
Ao primeiro raio
Desse tal de amor

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Gente


Gente erra o caminho
Gente não sabe escolher
Gente é bicho cretino
Não sabe o que fazer

Gente confia nos outros
Gente se lança no escuro
Gente as vezes machuca
Ás vezes é bicho tão puro

Gente é bicho esquisito
Gente maltrata a quem ama
Mesmo estando tudo certo
Gente reclama, reclama

Gente que gosta de bicho
Trata melhor que gente
Quando vê seu semelhante
Passa ao largo, indiferente

Mesmo sendo tão perfeito
Conhecendo minha mente
Pra salvar a minha alma
Tu te transformaste em gente

Foi vivendo como homem
E fazendo diferente
Que mostraste o caminho
Me ensinando a ser gente

Mas eu sei que nessa vida
Nada muda num instante
Me ensina então, Senhor
A amar o meu semelhante

Tira a escama dos meus olhos
Dessa vida de engano
Vem enfim, por teu amor
Me ensina a ser humano.