quinta-feira, 31 de março de 2011

Chuva



Chuva que a terra instiga
Que o sertanejo quer ter
Às vezes ela castiga
Fazendo a água correr
Vai derrubando barraco
Levando meu bem-querer
Chuva boa, tempestiva,
Para os tempos maus lavar
Alegre flor, sempre-viva
Pra todo verde plantar
Chuva de bênção, tesouro
Chuva caindo do alto
Chuva, presente do Deus
Maravilhoso que exalto.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Venha o Teu Reino

Venha o Teu Reino entre nós
Com Poder e Glória
Venha trazer liberdade
Quebrar as cadeias
E restaurar a união
Outrora perdida
E converter corações
Dos pais aos seus filhos
E dos filhos aos pais

Venha Teu Reino entre nós
Tua majestade
Venha trazer alegria
No Espírito santo

E destruir fortalezas
Do império das trevas
Pra nos trazer santidade
Amor e verdade
Que venha o Teu Reino


Que venha o Teu Reino
Entre nós
Vem com unção
Vem aqui e agora
Transbordar
Dentro dos nossos corações
E traga ousadia
Pra falar do Teu poder
Não só em palavras
Mas em Graça, Paz,
Justiça e Amor

Auto-retrato

Pra quem não me conhece, eu sou poeta
Me descobri assim por um acaso
Na poesia é que me comprazo
Tomo a palavra e sigo minha reta

Tenho certeza, às vezes me engano
Mas a verdade é sempre minha meta
Temo o amor, essa terrível seta
Que atravessa o sentimento humano

Monossilábico

Eu canto um conto
Monossilábico
Mas que se propaga
Em mil direções

Eu conto uma história
Mil vezes vivida
Mas nunca contada
Nas muitas canções

Eu canto de fato
E a isso me entrego
Um canto de raça
Tom de desafio

Um canto matreiro
Às vezes, moleque
Que vai pegar rã
na beira do rio

Eu conto um conto
Que pega a estrada
Que vaga de noite
No clarão do dia

É pra quem tá vivo
Pra quem não tem medo
É pra quem se joga
Nessa água fria

Eu canto pra todos
Para os desvalidos
Pra quem sente frio
Pra quem sente fome

É tanta palavra
Que o mundo não cabe
Té pra quem não sabe
Sequer o meu nome.

sábado, 26 de março de 2011

Auto-retratonº 2

Quem eu sou hoje não importa
Quanto mais devia importar
Quem eu fui no meu ontem distante
Amanhã mera história sera
O passado
O tempo
O futuro
Na verdade é pura ilusão
Hoje eu quero fazer diferente
Com o passado, não dá
O futuro, está longe
Talvez com o presente.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Senhor, me ensina a amar! (em construção)

Àquele que nega o pão
Àquele que só diz não
Àquele que é mesquinho
Quem causa desilusão
Quem abandona seu irmão
Sozinho pelo caminho

Ao que está do outro lado
Ao pobre, ao revoltado
Ao drogado, ao perdido
Àqueles que ainda não são são
Aos fora da comunhão
E àqueles que não tem lar
Senhor, me ensina a amar


Sem-terras e ruralistas
Liberais e marxistas
Ao judeu e ao xiita
Ao que se acha perfeito
Àquele que não tem jeito
Ao que não "está bem na fita"

Àqueles que não tem nome
Àqueles que passam fome
A todos os desvalidos
Àqueles que não tem luz
Por quem morreste na cruz
A quem viste salvar
Senhor, me ensina a amar

Triste trajetória

E foi um choque
Ver assim que o tempo
Como um trem-bala, passa
E que nada tem de doce
Essa triste trajetória

Quantos séculos se passaram
Nesses poucos 35 anos?
Quanta coisa eu vivi?
E houve mesmo 
Intensidade nesse viver?
e o que eu deixei passar?
(Como se pode lamentar
O que ainda não se viveu?)


Chego à conclusão 
De que não devo lamentar
Cada erro, cada verdade
Foi uma lição de vida
Pasmo, às vezes
Quando vejo que algumas dessas lições
Ainda não aprendi direito
Apesar da vida, pacientemente
Repetí-las constantemente
Numa dura, firme disciplina.
Dessas coisas que a vida faz.


Devo sim lamentar
A oportunidade perdida
A palavra que ficou guardada
O amor que eu não quis dar
Lamento a coragem que não tive
E que faria toda a diferença
Lamento sobretudo as vezes 
Em que não fiz a diferença
Seja por falta de coragem
De juízo ou de vergonha na cara.