;Faz um tempo que eu já me achava longe desta arte que me ajudou tanto a compor minha personalidade de tímido filho único e que de repente viu nela, na poesia, uma forma de se comunicar com Deus, com os homens e pricipalmente comigo mesmo.
Comecei escrevendo alguns versos em 1986. Eu tinha 11 anos nessa época e vi nos versos uma maneira de poder expressar meus sentimentos para as menininhas da escola que balançavam meu coração. Aos 14 anos, tive um encontro que mudou completa e definitivamente minha forma de ver o mundo: após alguns anos de luta interior, resolvi receber a Jesus como meu Senhor e Salvador.
Desde daí, minha poesia ganhou uma nova forma. Os ensinamentos adquiridos na minha caminhada na fé deram nova voz a minha poesia. Em 1990, ouvi, emprestado por um amigo de uma banda em que eu fazia uma "ponta" como guitarrista, me emprestou alguns LPs, dentre os quais "De vento em popa"(VPC - 1975) e "Tudo ou nada" ( VPC - 1982) e mais uma vez minha mente entrou em choque: era possível fazer poesia num contexto eclesiástico no mesmo nível em que compunham os grandes poetas da MPB que eu ouvia desde de pequeno e que estava em todo lugar (no rádio, na rua, na televisão, não se pondendo até hoja escondermos dela).
Fiz neste mesmo ano um curso voltado para as artes plásticas e o ambiente neste curso era multicolorido culturalmente. Eu estava tocando violão com aquela "fome" adolescente e as músicas que tocavam na rádio evangélica que eu ouvia diariamente já não era suficiente para saciar minha curiosidade. Mergulhei com extremo prazer e remorso nos acordes da MPB. Chico, Gil, Caetano, Milton Nascimento, Djavan, João Bosco e outros tantos se tornaram meus companheiros. mas no meu coração sempre houve um sonho de um dia ter espaço na mídia para uma união entre música e poesia e evangelho, sem deixar nada a dever aos grandes autores.
Muita coisa aconteceu na minha vida. Muita poesia já rolou (muitas jogadas fora figurativa e literalmente) e hoje bissexto é uma classificação que me soa confortável quando me vejo como poeta. Tenho hoje tentado me dar mais uma chance de fazer diferença neste tempo em que a gente vive escrevendo ou fazendo música (ou as duas coisas conjuntamente).